segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Senhora Holle

Uma viúva que tinha duas filhas: a Helena, que era feia e preguiçosa, e a Irene, que era bonita e trabalhadora. Gostava muito mais da primeira, porque era sua filha verdadeira. A Irene, por seu lado, tinha de fazer todas as tarefas de casa, além de ser obrigada a fiar junto ao poço todos os dias, até ficar exausta.
Uma vez, a Irene fiou tanto que as suas mãos começaram a deitar sangue e sujou o fuso sem querer. Então, quis lavá-lo com a água do poço mas teve tanto azar que o deixou cair à água. Desesperada, foi a correr contar à sua madrasta, mas esta, em vez de a consolar, deu-lhe um grande raspanete.
- Como deixaste cair o fuso, vais ter de descer ao poço para o ires buscar - disse.
Sem protestar, a jovem regressou ao poço, e, mesmo cheia de medo, saltou lá para dentro.
A Irene saltou e perdeu os sentidos. E ao voltar a si, viu que se encontrava num bonito prado cheio de flores e que um coelho vestido de gala lhe dizia:
- Acorda, minha menina! Não desperdices esta tarde tão bonita a dormir a sesta.
Irene, ainda sobressaltada, perguntou-lhe:
- Onde estou?
- Este é o reino subterrâneo que está mesmo debaixo da tua casa - respondeu o coelho perdendo a paciência. - Agora tenho de me ir embora - acrescentou.
- Diz-me só mais uma coisa - suplicou-lhe a Irene. - Onde devo dirigir-me?
O coelho indicou-lhe um caminho e depois foi-se embora a correr.
No fim desse caminho havia uma casa, e como a Irene estava perdida resolveu bater à porta para ver se alguém a podia ajudar a encontrar o caminho de regresso a casa. Abriu-a uma velha mulher com uns dentes tão grandes que ela até se assustou.
A Irene quis sair dali o mais rápido possível, mas a mulher começou a dizer com voz doce:
- Não tenhas medo. Fica comigo e se me obedeceres serás recompensada. A tua única tarefa será a de sacudir com força o edredão da minha cama. Se o fizeres bem, vai nevar no mundo, pois, caso não saibas, eu sou a senhora Holle. Como a mulher insistiu tanto, a rapariga decidiu trabalhar para ela.
A Irene realizava a sua tarefa na perfeição, sacudindo o edredão com tanta energia que as penas voavam como flocos de neve. Para a recompensar, a senhora Holle tratava-a às mil maravilhas; preparava-lhe sempre guisados para comer e nunca lhe ralhava.
Mas passado um tempo, a rapariga começou a sentir-se triste. Ao princípio, não sabia o que se passava, mas, um dia, percebeu que tinha saudades. Mesmo vivendo muito melhor ali do que em sua casa, a Irene contou à senhora Holle que sentia a falta da sua mãe e da sua irmã.
- Eu percebo que queiras voltar - disse - e como te portaste bem, eu vou-te ajudar a regressar.
A mulher acompanhou a Irene até à porta que separava o mundo subterrâneo da superfície, e, antes de partir, devolveu-lhe o fuso que tinha caído ao poço. Além disso, encheu a sua saia de moedas de ouro e pôs-lhe um bonito colar ao pescoço. Então, despediu-se dela dizendo-lhe:
- Dou-te tudo isto como prova da minha gratidão pela tua bondade. Que sejas muito feliz, Irene. 
E, num instante, a Irene voltou a estar no pátio da sua casa. 
Ao vê-la, o galo que estava empoleirado no poço cantou:
- Cócórócócó, a vossa donzela de ouro já está aqui!
A rapariga atravessou o pátio e entrou em casa e, como ia coberta de ouro, a sua mãe e a sua irmã receberam-na com alegria. Ela contou-lhes tudo o que tinha acontecido.
Quando a mãe ouviu o relato, quis que a sua outra filha tivesse a mesma sorte.
A mãe levou a sua filha Helena ao poço, picou-a num dedo para sujar o fuso com o seu sangue e, de seguida, deixou-o cair no poço e empurrou a jovem atrás dele.
A Helene acordou no mesmo prado que a Irene, encontrou o mesmo coelho e começou a andar pelo mesmo caminho. Quando chegou a casa da senhora Holle, como já tinha ouvido falar nos seus enormes dentes não se assustou e começou a trabalhar para ela.
No primeiro dia a Helena mostrou-se muito trabalhadora e fez tudo o que a senhora Holle mandou, pois pensava no ouro que esta lhe ia dar. Mas em pouco tempo, começou a descuidar as suas obrigações, e, apesar dos sermões da velha senhora, passava o dia sentada no sofá.
A rapariga já não fazia a cama à senhora Holle como era suposto, e nesse Inverno, para grande tristeza das crianças, não nevou no mundo.
Por fim, a boa velhinha perdeu a paciência e pediu-lhe para se ir embora. 
A preguiçosa Helena estava satisfeita porque pensava que ela a ia cobrir de ouro; no entanto, a senhora Holle despediu-se atirando-lhe com um bocado de alcatrão pegajoso e mal cheiroso.
Toda suja, a Helena regressou a sua casa e o galo, ao vê-la, cantou: 
- Cócórócócó, a vossa donzela suja já chegou!
A mãe, desesperada, tentou limpá-la, mas por mais que a lavasse, não lhe conseguia tirar o alcatrão, e ficou assim o resto da vida.





Frei João Sem-Cuidados

O rei ouvia sempre falar em Frei João-Sem-Cuidados como um homem que não se afligia com coisa nenhuma deste mundo. E isso provocava-lhe uma certa inveja:
- Deixa estar, que eu hei-de meter-te em trabalhos - pensou o Rei para consigo.
Mandou-o chamar à sua presença e disse-lhe:
- Vou perguntar-te três adivinhas e se dentro de três dias não me souberes responder, mando-te matar. Quero que me digas:
Quanto pesa a lua, quanta água tem o mar e em que é que eu penso.
Frei João-Sem-Cuidados saiu do palácio bastante atrapalhado, pensando nas respostas a dar a cada uma daquelas perguntas.
O velho moleiro encontrou-o no caminho e estranhando ver o frade tão preocupado, dirigiu-se a ele:
- Então Frei-João-Sem-Cuidados, porque é que vai tão triste?
- É que o rei disse-me que me mandava matar se, dentro de três dias, não lhe responder quanto pesa a lua, quanta água tem o mar e em que é que ele pensa.
O moleiro desatou a rir e disse-lhe que não se preocupasse, que lhe emprestasse o seu hábito de frade, porque iria ele disfarçado dar as respstas ao rei.
Passados três dias, o moleiro, vestido de frade, foi ao Palácio e logo o rei lhe perguntou:
- Então quanto pesa a lua?
- Saberá Vossa Magestade que não pode pesar mais do que um arrátel, pois todos dizem que ela tem quatro quartos.
- E quanta água tem o mar?
- Isso é muito fácil de saber. Mas como Vossa Magestade só quer saber a água do mar, é preciso primeiro mandar tapar os rios, porque sem isso nada feito.
O rei achou bem respondido, mas, zangado de ver Frei João-Sem-Cuidados a escapar-se às dificuldades, afirmou:
- Agora, se não souberes em que é que eu penso, mando-te matar!
O moleiro então respondeu calmamente: 
- Ora, Vossa Magestade pensa que está a falar com Frei João-Sem-Cuidados mas afinal está é a conversar com o seu moleiro.
O velho moleiro deixou então cair o capucho de frade e o rei ficou pasmado com a esperteza dele e a do João-Sem-Cuidados, que tão bem soube fazer-se substituir.




A Bela e o Monstro

Era uma vez um príncipe egoísta que um dia não prestou ajuda a uma velhinha que a solicitou. Só que esta era uma bruxa e gritou uma maldição:
- Julgas-me indefesa! Pela tua falta de piedade condeno-te a viver a partir de hoje como uma Besta.

A transformação foi imediata! O destino da fera ficaria ligado ao de uma rosa encantada, que viveria até que ele chegasse aos 21 anos. Então os dois morreriam. A menos que alguém o amasse!
- Mas que mulher gostará de mim assim?
Anos depois, numa aldeia próxima, já tinham esquecido o sucedido. Ali residia Bela, moça bonita, que gostava muito de ler e que era cortejada por diversos moços.
Uma noite Maurício, o pai de Bela, perdeu-se no Bosque e,
depois de muito caminhar, chegou ao castelo de Besta. Chamou, chamou e, como ninguém acorresse e a porta estivesse aberta, entrou e sentou-se junto da lareira, para se aquecer.
- Invadiste a minha casa, velho! - gritou Besta.
- Sou um inventor... suplicou Maurício.
- Juro que não direi a ninguém que o vi... Deixe-me ir embora...
- Cala-te. - rugiu Besta. - És meu prisioneiro!
Dias depois, Bela entrou no castelo, quando andava desesperada em busca do pai.
- Alguém me ouve?
Besta apareceu e levou-a à cela do pai.
- Velho, vai-te embora, mas se contares a alguém o meu segredo, não verás mais a tua filha!
Noite dentro, Besta lembrou-se que deveria conseguir o amor sincero de uma mulher... Mas como?

Com pena de Bela, conduziu-a a um grande e confortável quarto. Deu-lhe de comer e portou-se com a máxima educação. E ofereceu-lhe um lindo vestido.

No dia seguinte, ao entrar na biblioteca do castelo, ficou espantada.
- Nunca vi tantos livros. Já os leu todos?
- Não, respondeu Besta.
- Creio que é mais humano do que aparenta, senhor!
Continuando o mostrar-lhe o castelo, entraram na sala aonde se encontrava a rosa mágica.

- Está a morrer! - gritou ela.
- E eu morro com ela! - disse tristemente Besta.
Entretanto Bela voltou à aldeia, para salvar o pai que, por ser inventor, o povo achava louco. E no afã de apresentar argumentos falou do castelo e do seu dono, salientando a bondade deste.
Mas ninguém acreditou nela. E os camponeses armaram-se com forquilhas e enxadas para matar Besta.
Bela adiantou-se e, correndo quanto podia, conseguiu chegar primeiro ao castelo.
E avisou o príncipe do perigo que o espreitava. Mas, já muito farto da vida que levava, ele não quis lutar. Um dos camponeses feriu-o com um punhal e empurrou-o de uma varanda do castelo.
- Vou ajudar-te! -
gritou Bela. - Não podes morrer!
Correu até ao jardim e beijou com amor Besta, tentando reanimá-lo.
Milagre, este voltou a ser o príncipe que antes fora. Mas nunca mais egoísta e cruel.
O castelo encheu-se de vida. E logo depois veio a boda dos dois enamorados, que viveram felizes para sempre.

A Bela Adormecida

Um rei e uma rainha que viviam muito tristes porque não tinham filhos. Mas um dia a rainha soube que estava grávida e, alguns meses mais tarde, nasceu uma bonita menina.
O rei e a rainha estavam tão contentes que decidiram celebrar o acontecimento organizando uma grande festa.
Todas as fadas do reino vieram assistir aos festejos, e cada uma quis conceder um dom à princesa.
A primeira concedeu-lhe a beleza; a segunda, a inteligência; a terceira, a graça; a quarta, a arte de dançar; a quinta, o dom de cantar como um rouxinol; e a sexta, o de tocar todo o tipo de instrumentos musicais.
Mas, com a emoção, os reis tinham-se esquecido de convidar para a festa uma fada má, muito poderosa e temida porque tinha mau feitio.
A fada má interrompeu a festa, que tinha lugar no palácio, gritando e lançando maldições por não ter sido convidada, e dirigindo-se à recém.nascida, disse:
- Vais pagar caro a ofensa dos teus pais! Quando fizeres quinze anos, vais picar-te num fuso de uma roca e morrerás. E após lançar o seu terrível feitiço, calou-se enfurecida e foi-se logo embora.
Entre os presentes havia uma fada mais poderosa do que as outras que ainda não tinha concedido nenhum dom à menina. Os reis dirigiram-se a ela desesperados.
- Salva a nossa filha, suplico-te! - implorou o rei.
- O feitiço da velha fada má é demasiado forte para o anular - respondeu a fada - e o máximo que posso fazer é torná-lo mais suave.
Quando a princesa se picar com o fuso, em vez de morrer entrará num sono profundo que durará cem anos, ao fim dos quais será acordada por um príncipe.
Apesar de tudo, o rei queria evitar a desgraça anunciada e mandou publicar um edital em que se proibia fiar ou ter fusos em todo o país.
No dia em que fez quinze anos, a princesa, que estava sozinha, entreteve-se a percorrer todas as divisões do palácio. Depois de subir por uma escada de caracol, chegou a uma torre afastada e viu uma velhinha que estava a fiar com uma roca e um fuso. Como nunca tinha visto tal coisa, a jovem sentiu curiosidade e quis experimentar; mas picou-se com o fuso e caiu adormecida num sono profundo.
Os reis, desesperados, mandaram chamar os médicos mais famosos do mundo, mas nenhum encontrava uma solução para o estranho mal da princesa.
Mesmo estando como morta, a sua pele mantinha-se rosada e quente, e a jovem parecia mais bonita e cheia de vida do que nunca.
À medida que os dias passavam crescia o desespero dos reis, que se apercebiam que, se o sono da sua filha durasse realmente cem anos, eles deviam morrer antes de a poderem ver livre daquele terrível feitiço.
Finalmente, o rei mandou chamar a fada que tinha conseguido alterar a maldição fatal da fada má para aquele sono profundo, e suplicou-lhe:
- Já que não se pode fazer nada para acordar a nossa filha, também nós dormiremos para não sofrermos a tortura de viver sem a sua companhia. Então a fada foi tocando com a sua varinha mágica em cada um dos presentes, e todos caíram num sono profundo, como o da princesa. 
Cem anos depois, um príncipe belo e corajoso, chegou montado no seu cavalo a uma floresta tão estranha e tão cerrada que decidiu entrar e explorá-la. Um camponês tentou dissuadi-lo, dizendo-lhe que estava enfeitiçada, mas isso apenas aumentou a sua curiosidade.
Aquela floresta não era mais do que os jardins do palácio da princesa adormecida que, como há cem anos que ninguém tratava deles, estavam cheios da mais densa e variada vegetação. Não foi fácil para o príncipe abrir caminho por entre aquele emaranhado de árvores, arbustos e todo o género de trepadeiras, e mais do camponês que o tinha avisado para voltar para trás.
Mas de repente viu um palácio meio escondido pela vegetação e dirigiu-se para lá.
E qual não foi o espanto do príncipe quando entrou no palácio e viu em todo o lado pessoas a dormir nas mais diversas posições, como se o sono as tivesse surpreendido, de repente, a meio de um dia normal.
Tentou acordar alguns soldados da guarda que dormiam agarrados às suas lanças, mas os seus esforços foram em vão.
A vegetação, que entrava pelas janelas e pelas portas, tinha invadido tudo, e a hera até se tinha enrolado à volta de algumas pessoas.
O príncipe foi percorrendo o palácio, até que por fim chegou ao quarto da princesa e viu como dormia no seu leito.
Ficou tão cativado pela sua beleza, que se aproximou dela e lhe deu um beijo, quebrando o feitiço e acordando a jovem.
De imediato começaram a acordar todas as pessoas do palácio: o rei e a rainha sentados nos seus tronos, os criados nos seus postos de trabalho e os guardas agarrados às suas lanças.
Mesmo tendo passado cem anos, ninguém tinha envelhecido nem tinham noção do tempo que tinha passado. Pelo contrário, todos se sentiam melhor do que nunca, como depois de uma noite de sono descansado.
E quando os reis viram que a sua filha tinha acordado, a sua alegria foi imensa.
O príncipe e a princesa casaram no meio de grandes festejos, da fada malvada nunca mais se ouviu falar, e assim viveram felizes durante muitos anos.





A Princesa e a ervilha

Era uma vez um príncipe que se queria casar com uma princesa, mas uma princesa de verdade, de sangue mesmo real .
Viajou pelo mundo inteiro, à procura da princesa dos seus sonhos, mas todas as que encontrava tinham algum defeito.
Não é que faltassem princesas: até havia de mais, mas a dificuldade era saber se realmente eram de sangue real.
E o príncipe voltou ao seu castelo, muito triste e desiludido, pois queria muito casar
com uma princesa de verdade.
Numa noite, estando  uma tempestade horrível, chovia desabaladamente, com trovoadas, raios e relâmpagos... um espetáculo que até metia medo, de repente
bateram à porta do castelo, e o rei em pessoa foi atender, pois os criados estavam ocupados enxugando as salas cujas janelas tinham sido abertas pela tempestade.
Era uma moça, que dizia ser uma princesa. Mas estava de tal maneira encharcada que os seus cabelos escorriam, as suas roupas de pegavam-se-lhe ao corpo, e os sapatos de tão encharcados estavam-se a descolar...  era difícil acreditar que realmente  fosse uma princesa real.
A rapariga tanto afirmou que era uma princesa que a rainha pensou numa forma de provar  que o que ela dizia era verdade.
Ordenou à sua criada de confiança que empilhasse vinte colchões no quarto de hóspedes e colocou sob eles uma ervilha. Aquela seria a cama da “princesa”.
A rapariga estranhou a altura da cama, mas conseguiu, com a ajuda
de uma escada,deitar-se.
No dia seguinte, a rainha perguntou como ela tinha dormido.
— Oh! Não consegui dormir — respondeu a rapariga, havia algo duro na minha cama, que até me deixou  manchas roxas no corpo!
O rei, a rainha e o príncipe olharam-se com surpresa. A rapariga era realmente uma princesa! Só mesmo uma princesa verdadeira teria a pele tão sensível para sentir um grão de ervilha sob vinte colchões!!!
O príncipe casou com a princesa, feliz da vida, e a ervilha foi enviada para um museu, e ainda deve estar por lá...
Acredite se quiser, mas esta história  aconteceu realmente!






Hansel e Gretel

Há muito tempo, numa cabana perto de um grande bosque, vivia um pobre lenhador com os seus dois filhos, um rapaz e uma rapariga.
O menino chamava-se Hansel, e a menina Gretel, e o lenhador era tão pobre que tinha muita dificuldade em sustentá-los.
Um dia, Hansel e Gretel foram com o seu pai ao bosque buscar lenha e, sem darem por isso, afastaram-se tanto dele que, quando escureceu, acabaram por se perder.
- Papá! Papá! Onde estás? - gritavam em coro os meninos.
Mas, tendo andado durante horas a tentar encontrar o seu pai ou, pelo menos, sair do bosque, quanto mais andavam mais se afastavam da sua casa. Cheios de fome e muito assustados, vaguearam a noite inteira pelo bosque escuro, pensando que nunca mais voltariam à sua casa, até que, por fim, muito cansados, aninharam-se debaixo de uma árvore e acabaram por adormecer.
De manhã recomeçaram a caminhada, mas cada vez penetravam mais no bosque, e tinham tanta fome que quase não conseguiam andar:
- Olha - disse Hansel olhando para o ramo de uma árvore - que pássaro tão bonito! Um pássaro, branco como a neve, estava pousado num ramo. O seu canto era tão bonito que os meninos pararam para o ouvir. Quando o pássaro branco parou de cantar, abriu as asas e levantou voo.
Sem saber muito bem porquê, Hansel e Gretel seguiram o pássaro branco, que voava baixinho e muito devagar, como se os quisesse levar a algum sítio.
Seguiram durante várias horas o pássaro, que finalmente pousou numa bonita casinha.
As crianças dirigiram-se para lá, muito contentes porque tinham encontrado um sítio onde podiam arranjar alguma coisa para comer, e saber como podiam sair rapidamente daquele bosque sinistro. Mas qual não foi a sua surpresa quando chegaram ao pé da casinha e viram que as paredes eram de bolo, o telhado de chocolate, e os vidros das janelas de rebuçado transparente.
- Que grande banquete que vamos ter Gretel! - exclamou Hansel. Vou já comer um grande bocado do telhado! Correram para a apetitosa casinha. Hansel subiu ao telhado e começou a comer uma telha. Gretel aproximou-se de uma janela e lambeu o vidro. Ao ver que era doce, e como era muito gulosa, arrancou um pedaço e chupou-o.
De repente, abriu-se a porta da casinha e saiu de lá de dentro uma velhinha. As crianças ficaram tão assustadas que deixaram cair as guloseimas que estavam a comer, mas a velhinha acalmou-as dizendo-lhes:
- Não tenham medo, queridos meninos.
Como é que chegaram até aqui?
- Perdemo-nos no bosque - respondeu Gretel.
- E temos muita fome - disse Hansel.
- Então venham - disse a velhinha. Venham e comam o que quiserem.
Dito isto, a velha fê-los entrar para dentro de casa. Depois preparou-lhes uma apetitosa refeição, com bolos e leite, maçãs e nozes.
Mas a velha era na realidade uma bruxa malvada, que tinha construído a casinha para atrair as crianças e as devorar.
Ao anoitecer, a bruxa preparou uma cama para as crianças que, como estavam muito cansadas, se deitaram contentíssimas, pensando que tinham tido muita sorte em encontrarem aquela velhinha tão boazinha, e adormeceram logo. Mas de manhã, a bruxa tirou Hansel da cama bruscamente e fechou-o numa gaiola. Depois disse a Gretel:
- Prepara comida para o teu irmão, que está muito magro e tem de engordar. Quando estiver gordo, vou assá-lo no forno e comê-lo... Ah, ah, ah!
Todos os dias Gretel tinha de preparar muita comida para Hansel, que ia engordando pouco a pouco.
- Mostra-me um dedo para ver se estás a engordar - dizia a bruxa ao menino. Mas Hansel mostrava um osso de galinha, e a bruxa, que via muito mal, acreditava que o osso era o dedo da criança e que este ainda estava magro.
Depois de quatro semanas, a bruxa cansou-se de esperar e disse a Gretel:
- Já estou farta. Acende o forno que eu vou comer o Hansel assim mesmo.
- Não sei acendê-lo; vais ter de me ensinar - respondeu Gretel.
- Pequena inútil! - gritou a bruxa.
Vê lá se aprendes como se faz.
A velha abriu a porta do forno e meteu metade do corpo dentro dele para o acender. Então, Gretel empurrou-a e fechou-a lá dentro.
A bruxa gritava e batia na porta do forno, mas esta era de ferro e não havia forma de a abrir por dentro.
Gretel correu a libertar o seu irmão. As crianças abraçaram-se e pularam de alegria, e, como a bruxa já não lhes podia fazer mal, foram fazer um reconhecimento à casa.
Qual não foi o seu espanto ao encontrarem vários cofres cheios de pérolas preciosas! Encheram os bolsos de jóias e saíram a correr da casinha de chocolate, ansiosos por voltar para ao pé do seu pai.
Não demoraram muito a encontrar caminho de regresso a casa, onde o pai os recebeu chorando de alegria. E com as jóias da bruxa, viveram felizes para sempre.







O Pedro e o Lobo

Pedro vivia com o seu avô, numa casa cujas traseiras davam para um imenso prado verde. Certa manhã, bem cedinho, Pedro acorda e veste-se, energicamente, ansioso para ir brincar lá para fora. Assim que se acabou de vestir, Pedro correu para o pátio para subir à sua árvore favorita. Pedro pensou como devia ser divertido correr, cantar e brincar pelo pardo fora. O Avô avisara-o várias vezes para que não fosse brincar para o prado, mas o Pedro não tinha medo dos animais perigosos que viviam na floresta e decidiu ir à mesma. Abriu o portão de ferro e correu para o prado a cantar uma canção. Passado um bocado pareceu-lhe ouvir alguém também a cantar. Era um passarinho


“Olá passarinho” disse o Pedro. “Está um dia maravilhoso, não está?”. O Pedro estava muito contente por ter alguém com quem cantar. Foram cantando os dois enquanto se aproximavam do lago luminoso. No lago nadava um gorducho pato amarelo. O pato e o pássaro começaram de imediato a discutir qual dos dois seria uma verdadeira ave. “Que espécie de ave és tu se não consegues voar?” chilreou o pássaro. “Que espécie de ave és tu se não consegues nadar?” respondeu o pato. Continuaram nessa discussão sem prestar atenção ao que se passava à sua volta. O Pedro, no entanto, estava atento, e reparou que o seu gato acabara de saltar o muro e já se encontrava no prado. Vinha-se aproximando, sem tirar os olhos do pássaro, enquanto pensava no almoço. A distância entre o muro que circundava o pátio e o lago não era muita e rapidamente o gato chegou perto do passarito e quando se preparava para abocanhá-lo o Pedro gritou “Cuidado!”, o pássaro desatou a voar e foi posar num dos ramos da árvore gigante do Pedro.

“O que é que estas a fazer aí fora no prado?” perguntou o avô ao Pedro. “Eu já te avisei vezes sem conta que o prado não é um bom sítio para brincares. Existem muitos animais perigosos lá ao fundo na floresta. Queres ser comido por um deles?”. O Pedro não tinha medo desses animais perigosos mas o avô trouxe-o de volta ao pátio das traseiras e fechou o portão de ferro.

Tinha o avô acabado de fechar o portão de ferro quando surgiu um lobo da floresta. O gato entretanto dormitava no prado. O Lobo ia-se aproximando cada vez mais. O pássaro deu pelo Lobo e começou chilrear alarmado de maneira a que pudesse avisar o gato e o pato. O gato acordou e num sobressalto trepou a uma árvore para ficar a salvo. O Pato começou a grasnar de tal maneira com medo que saiu do lago e começou a correr em direcção ao portão de ferro que protegia o pátio. O pato corria o máximo que conseguia mas o lobo é mais veloz e num ápice engoliu o pato de uma só vez. O Pedro, que assistiu a tudo isto, começou a trepar a árvore do pátio. Levava consigo uma corda, à volta do ombro, com intenção de a usar para apanhar o lobo. Quando chegou ao ramo que atravessava o muro em direcção ao prado começou a percorrê-lo. Chegado à ponta do ramo, o Pedro pediu ajuda ao pássaro, para que o pássaro distraísse o lobo enquanto se preparava a armadilha. O passarito dispôs-se logo a ajudar, mais a mais depois de o Pedro lhe ter salvo a vida tão cedo pela manhã. Voou direito ao nariz do lobo e quando o lobo se preparava para o abocanhar desviou caminho e o lobo mordeu o ar. Continuou neste jogo enquanto o Pedro preparava a corda. Atou uma ponta da corda ao ramo e a outra ponta soltou-a como um laço. Com a ajuda do pássaro o Pedro rapidamente enlaçou o lobo e começou a gritar pelos caçadores. Os caçadores surgiram num ápice e já apontavam as armas ao lobo quando, “Não, não o matem” o Pedro começou a chorar. “Levamos o lobo para um jardim zoológico para que toda a gente o veja”. Os caçadores concordaram. O Pedro foi à frente de uma autêntica procissão, pela cidade, a caminho do Jardim Zoológico. Atrás vinham os caçadores com o lobo preso e o avô, contente e preocupado ao mesmo tempo, porque podia ter acontecido o pior. Por cima de todas as cabeças voava o pássaro, excitado e orgulhoso, por terem apanhado o lobo.