segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Bela Adormecida

Um rei e uma rainha que viviam muito tristes porque não tinham filhos. Mas um dia a rainha soube que estava grávida e, alguns meses mais tarde, nasceu uma bonita menina.
O rei e a rainha estavam tão contentes que decidiram celebrar o acontecimento organizando uma grande festa.
Todas as fadas do reino vieram assistir aos festejos, e cada uma quis conceder um dom à princesa.
A primeira concedeu-lhe a beleza; a segunda, a inteligência; a terceira, a graça; a quarta, a arte de dançar; a quinta, o dom de cantar como um rouxinol; e a sexta, o de tocar todo o tipo de instrumentos musicais.
Mas, com a emoção, os reis tinham-se esquecido de convidar para a festa uma fada má, muito poderosa e temida porque tinha mau feitio.
A fada má interrompeu a festa, que tinha lugar no palácio, gritando e lançando maldições por não ter sido convidada, e dirigindo-se à recém.nascida, disse:
- Vais pagar caro a ofensa dos teus pais! Quando fizeres quinze anos, vais picar-te num fuso de uma roca e morrerás. E após lançar o seu terrível feitiço, calou-se enfurecida e foi-se logo embora.
Entre os presentes havia uma fada mais poderosa do que as outras que ainda não tinha concedido nenhum dom à menina. Os reis dirigiram-se a ela desesperados.
- Salva a nossa filha, suplico-te! - implorou o rei.
- O feitiço da velha fada má é demasiado forte para o anular - respondeu a fada - e o máximo que posso fazer é torná-lo mais suave.
Quando a princesa se picar com o fuso, em vez de morrer entrará num sono profundo que durará cem anos, ao fim dos quais será acordada por um príncipe.
Apesar de tudo, o rei queria evitar a desgraça anunciada e mandou publicar um edital em que se proibia fiar ou ter fusos em todo o país.
No dia em que fez quinze anos, a princesa, que estava sozinha, entreteve-se a percorrer todas as divisões do palácio. Depois de subir por uma escada de caracol, chegou a uma torre afastada e viu uma velhinha que estava a fiar com uma roca e um fuso. Como nunca tinha visto tal coisa, a jovem sentiu curiosidade e quis experimentar; mas picou-se com o fuso e caiu adormecida num sono profundo.
Os reis, desesperados, mandaram chamar os médicos mais famosos do mundo, mas nenhum encontrava uma solução para o estranho mal da princesa.
Mesmo estando como morta, a sua pele mantinha-se rosada e quente, e a jovem parecia mais bonita e cheia de vida do que nunca.
À medida que os dias passavam crescia o desespero dos reis, que se apercebiam que, se o sono da sua filha durasse realmente cem anos, eles deviam morrer antes de a poderem ver livre daquele terrível feitiço.
Finalmente, o rei mandou chamar a fada que tinha conseguido alterar a maldição fatal da fada má para aquele sono profundo, e suplicou-lhe:
- Já que não se pode fazer nada para acordar a nossa filha, também nós dormiremos para não sofrermos a tortura de viver sem a sua companhia. Então a fada foi tocando com a sua varinha mágica em cada um dos presentes, e todos caíram num sono profundo, como o da princesa. 
Cem anos depois, um príncipe belo e corajoso, chegou montado no seu cavalo a uma floresta tão estranha e tão cerrada que decidiu entrar e explorá-la. Um camponês tentou dissuadi-lo, dizendo-lhe que estava enfeitiçada, mas isso apenas aumentou a sua curiosidade.
Aquela floresta não era mais do que os jardins do palácio da princesa adormecida que, como há cem anos que ninguém tratava deles, estavam cheios da mais densa e variada vegetação. Não foi fácil para o príncipe abrir caminho por entre aquele emaranhado de árvores, arbustos e todo o género de trepadeiras, e mais do camponês que o tinha avisado para voltar para trás.
Mas de repente viu um palácio meio escondido pela vegetação e dirigiu-se para lá.
E qual não foi o espanto do príncipe quando entrou no palácio e viu em todo o lado pessoas a dormir nas mais diversas posições, como se o sono as tivesse surpreendido, de repente, a meio de um dia normal.
Tentou acordar alguns soldados da guarda que dormiam agarrados às suas lanças, mas os seus esforços foram em vão.
A vegetação, que entrava pelas janelas e pelas portas, tinha invadido tudo, e a hera até se tinha enrolado à volta de algumas pessoas.
O príncipe foi percorrendo o palácio, até que por fim chegou ao quarto da princesa e viu como dormia no seu leito.
Ficou tão cativado pela sua beleza, que se aproximou dela e lhe deu um beijo, quebrando o feitiço e acordando a jovem.
De imediato começaram a acordar todas as pessoas do palácio: o rei e a rainha sentados nos seus tronos, os criados nos seus postos de trabalho e os guardas agarrados às suas lanças.
Mesmo tendo passado cem anos, ninguém tinha envelhecido nem tinham noção do tempo que tinha passado. Pelo contrário, todos se sentiam melhor do que nunca, como depois de uma noite de sono descansado.
E quando os reis viram que a sua filha tinha acordado, a sua alegria foi imensa.
O príncipe e a princesa casaram no meio de grandes festejos, da fada malvada nunca mais se ouviu falar, e assim viveram felizes durante muitos anos.





Nenhum comentário:

Postar um comentário